Mente Confiante

TDAH

Histórico

As primeiras descrições científicas datam de 1798 feitas por um médico escocês, Sir Alexander Crichton (1763-1856).

Ele descreveu o que parece ser um estado mental semelhante muito parecido com o subtipo desatento de TDAH,
em seu livro: An inquiry into the nature and origin of mental derangement: comprehending a concise system of the
physiology and pathology of the human mind and a history of the passions and their efects.

No capítulo “Attention”, Crichton descreveu como uma “Inquietação Mental”.

George Frederick Still (1868-1941), considerado pai da pediatria Britânica, apresentou em 04, 6 e 11 de março de 1902, uma série de três palestras para o Royal College of Physicians, em Londres, sob o nome “Goulstonian Lectures”.

Ele descreveu 43 crianças que tiveram sérios problemas com a atenção sustentada e auto-regulação, que eram muitas vezes agressivas, desafiantes, resistentes à disciplina, excessivamente emocionais ou passionais, que mostravam falha no controle inibitório e apresentavam sérios problemas com a atenção sustentada e não poderiam aprender em conseqüência de suas ações, embora o intelecto fosse normal.

Em 1937, Charles Bradley observou que 14 das 30 crianças com problemas de comportamento mostraram uma “mudança espetacular no desempenho escolar e do comportamento” durante uma semana de tratamento com benzedrina.

Sua pesquisa posterior e de outros estabeleceram os benefícios dos psicostimulantes no tratamento da desatenção e hiperatividade (TDAH).

A observação de Bradley está entre as mais importantes descobertas do tratamento psiquiátrico.

Na década de 40,surgiu a denominação de “Lesão Cerebral Mínima” e, em 1962, passou a ser chamado de “Disfunção Cerebral Mínima”, visto que os sintomas decorrentes da síndrome, não foram identificados como lesão estrutural do sistema nervoso central e sim como um mau funcionamento.

Os sistemas classificatórios atuais, CID 10 e DSM-5, utilizam os termos de transtorno hipercinético e transtorno de déficit de atenção/hiperatividade respectivamente.
O DSM-5 publicado em 2013, o qual engloba o TDAH no grupo de Desordens do Neurodesenvolvimento.

Apesar da nomenclatura diferente, apresentam mais similaridades do que diferenças nas diretrizes diagnósticas para o transtorno.

Fonte:

http://adhd-npf.com/english-adhd-history-1798-alexander/
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462000000600003
http://www.dsm5.org/Documents/changes%20from%20dsm-iv-tr%20to%20dsm-5.pdf

__________________________________________________

CONCEITO

É um transtorno neurobiológico, de causas genéticas, caracterizado pela tríade de hiperatividade, desatenção e impulsividade que tendem frequentemente a acompanhar o indivíduo a vida toda, em mais da metade dos casos.
Tais sintomas variam em intensidade e frequência nas diversas pessoas, sendo possível que irmãos portadores tenham expressões clínicas diferentes do mesmo transtorno.

Um importante conceito que o estudo genético contribuiu, nessas últimas duas décadas, é que apenas a presença dos genes não determinará o surgimento da doença. Ou seja, é necessário que ocorra a interação gene-ambiente-indivíduo para que a expressão da herança genética se manifeste (conceito da Epigenética).

Com os estudos sobre a Neuroplasticidade, as Neurociências demonstram que existem diversas regiões do cérebro em que teremos uma maior ativação de sinapses e, em algumas regiões, a formação de novos neurônios. Portanto, essa informação vem corroborar para o que foi descrito no parágrafo anterior: a interação gene-ambiente-indivíduo é o que determinará não apenas a clínica do transtorno, como também representa uma diretriz para o tratamento.

O diagnóstico é essencialmente clínico. Isso quer dizer que não existem exames complementares que possam confirmar ou afastar a doença.
Existem várias pesquisas científicas que identificam alterações morfo-estruturais e funcionais no SNC, em especial no córtex pré-frontal, núcleos da base, sistema cerebelar através de exames de neuroimagem (desde a ressonância magnética funcional aos estudos da conectividade cerebral). Porém tais exames ainda não estão liberados para uso clínico em Psiquiatria.
As interações entre as áreas do conhecimento em Psiquiatria, Genética, Neurologia, Neuropsicologia, Neurociência, Neurociência Cognitiva, Neuroimagem, Neuroinformática entre outras trouxeram uma importante contribuição para o entendimento do TDAH, de uma forma mais ampla. Não existe mais a visão de comprometimento exclusivamente no ambiente escolar é o que determinaria o tratamento. Ao contrário, existem pessoas portadoras do TDAH que não tiveram impacto nesse âmbito.
Dessa forma, o acesso facilitado às informações sobre o TDAH vêm possibilitando melhoria da qualidade do diagnóstico clínico, bem como o diagnóstico diferencial com outras patologias e também a identificação das comorbidades.

Estudos apontam, que o fumo, álcool durante a gravidez e a prematuridade e/ou sofrimento fetal constituem fatores de risco para o surgimento do TDAH.

Os problemas de ordem emocional, brigas familiares, separação dos pais não causam TDAH, mas contribuem para piorar uma condição já existente.

Aditivos alimentares, corantes amarelos, aspartame, luz artificial, carência vitamínica e hormonal não causam TDAH.

Fonte:

www.tdah.org.br
Cem Bilhões de Neurônios? Conceitos Fundamentais de Neurociência – Roberto Lent – 2ª Edição
Transtorno de Déficit da Atenção/Hiperatividade – Russell A. Barkley
ADHD – Attention deficit-hyperactivity disorder – An illustrated historical overview
– World Federation ADHD – 2013
__________________________________________________

PREVALÊNCIA

Os estudos nacionais e internacionais situam a prevalência do Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) entre 3% e 6%, sendo realizados com crianças em idade escolar na sua maioria.

O impacto desse transtorno na sociedade é enorme, considerando-se seu alto custo financeiro, o estresse nas famílias, o prejuízo nas atividades acadêmicas e vocacionais, bem como efeitos negativos na auto-estima das crianças e adolescentes.

Estudos têm demonstrado que crianças com essa síndrome apresentam um risco aumentado de desenvolverem outras doenças psiquiátricas na infância, adolescência e idade adulta.

Em mais da metade dos casos o transtorno acompanha o indivíduo na vida adulta.

Embora os sintomas de hiperatividade diminuam com a idade, os sintomas relacionados à capacidade de atenção e concentração tendem a piorar.

No adulto observamos sérios problemas com as funções executivas.

Tais funções são responsáveis por nossa capacidade de planejamento, organização, execução de tarefas, conferência, análise, síntese e avaliação dos resultados de tudo o que fazemos em nossas vidas.

O portador, em muitas ocasiões, pensa, não planeja, começa a executar determinado trabalho, não confere….e colhe os prejuízos de uma atitude impulsiva!

Fonte:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462000000600003

__________________________________________________

SINTOMAS

Então, afinal, o que é TDAH?

Como afeta a vida do indivíduo?

Os sintomas são caracterizados pela tríade clássica de AGITAÇÃO, DESATENÇÃO e IMPULSIVIDADE, que variam em frequência e intensidade de um indivíduo a outro.

O sistema classificatório atual identifica três tipos:
1) TDAH com Predomínio dos Sintomas de Hiperatividade (Geralmente predomina no sexo Masculino)

Aqui a pessoa tem agitação extrema, frequentemente está a mil por hora, não pára. As mães costumam dizer: “Doutora, ele não pára nem para comer”, “só falta dependurar na lua”, “sobe em tudo”.

O portador com esse subtipo se mostra … todo mundo percebe que a agitação é excessiva, não condizente com sua faixa etária.

Em sala de aula, é o falador, o brincalhão, não assenta na cadeira e quando assenta é desinquieto, “estabanado”, derrubando as coisas da carteira, quer beber água toda hora, ir ao banheiro, ou simplesmente levanta-se da cadeira ou dá uma “esticadinha” de pernas e braços…. aí incomoda o colega!

É chamado a atenção toda hora, às vezes expulso da sala ou recebendo suspensões por algum mau comportamento ou impulso que não conseguiu frear.

Seu horário preferido na escola é a hora do recreio e seu lugar preferido é o parquinho da escola!

Parece um “bichinho carpinteiro”, dizem alguns.

À noite, em muitos deles, a energia é igual de quem estivesse iniciando o dia.

Muitas vezes, o sono também é agitado, remexem muito, caem da cama.

Já outros… apagam… dizem as mães: “dorme como uma pedra, mas tem dificuldade para acordar cedo. Drª, parece ter necessidade de dormir mais um pouco pela manhã.” “É uma dificuldade extrema tirá-lo da cama”.

Mas aqui, os quesitos atenção e concentração são preservados.

São capazes de prestar atenção, fazerem os deveres, sem muita resistência, mas tem que ser rapidinho para logo fazer outra coisa.

Já o adulto é aquele workaholic!

Trabalham em excesso!

Também não param!

Dependendo da profissão, qualquer convite é aceito, principalmente se for para produzir algo que lhes desafiem ou simplesmente que considerem “essa é a minha praia…sou capaz de fazer, posso ajudar”…e não percebem que estão avançando os próprios limites ou que simplesmente não terão um resultado que lhe traga benefício… a família reclama da falta de atenção em casa.

Não percebem o limite de parar, agem por impulso!

Em reuniões ou salas de aula, ficarem assentados, por muito tempo, passa a ser tormento.

Falantes. Dominadores. Possessivos. Donos da verdade.

Alguns acordam na madrugada e tem dificuldade para dormir novamente, principalmente se estiverem envolvidos com algum projeto a resolver ou simplesmente alguma preocupação.

É comum as ideias “brotarem” na madrugada ou se sentirem produtivos nesse horário.

Ficam até tarde no computador, sendo capazes de passar horas à frente da telinha, ou trabalhando ou com jogos, bate-papo ou simplesmente navegando na internet.

Sempre dizem: “estou baixando uma música, um filme ou qualquer outra coisa” … para mantê-los ocupados… sempre com uma desculpa que “precisam” fazer algo!
2) TDAH com Predomínio dos Sintomas de Desatenção (Geralmente predomina no sexo Feminino)

Esse subtipo, com frequência, passa despercebido por todos e muitas vezes nem chega a ser diagnosticado.

Não dá trabalho em sala de aula.

São crianças dóceis, tranquilas, educadas, tímidas, embotadas, pouco comunicativas.

Não tem quaisquer sintomas de agitação.

Não perturbam a classe. Não querem aparecer.

Morrem de medo e ansiedade se alguém lhe pergunta algo, que julgam que poderão errar ou simplesmente se exporem ou indisporem com alguém… mesmo que saibam!

Estudam…estudam…esforçam-se para memorizar… mas na hora da prova… aquele famoso “branco”.

Erram! Erram por desatenção! Erram besteiras nas provas!

Conteúdos já assimilados, uma operação matemática corretinha no passo a passo, mas ao transcrever o resultado para um gabarito ou concluir um problema…erram!

Trocam um sinal, apagam e desfazem inúmeras vezes uma questão pois “bateu aquela dúvida”… e erram!

Aí vem a sensação de fracasso!

A sensação de que não são inteligentes, que não podem, que não adianta estudar pois o resultado é sempre mesmo.

Muitas vezes a matéria está dominada, sentem que sabem tudo, mas na hora H…falham.

Aqui então começa a surgir um grande problema: a auto estima diminui muito! Isso constitui um problema, na verdade um problemão, porque quando passa a afetar a capacidade de auto-análise, a situação complica.

Nesse ponto, os pais por mais que conversem, estimulem, apoiem… vem aquela sensação interna do portador: “não posso, não sei fazer, não adianta, não tem jeito, sou um fracasso!”

Cansam de ouvir dos pais, professores: Estude mais! Esforce mais .. que você vai conseguir.

Essa é a pior frase que um portador desatento pode ouvir!

Certa ocasião atendi uma adolescente que dizia: “Valéria, não entendo essa frase! Irrita-me profundamente! Porque eu estudo! Não é falta de estudo! Só se eu parar de comer e dormir.. para estudar mais. Não suporto os professores olharem para mim, com aquele ar: “não acredito que você estuda… precisa se esforçar mais”. E quando eu era pequena… ainda escreviam de caneta vermelha no meu caderno: “Mais atenção! Estude mais!” Isso era como a morte para mim. Sentia-me cada vez mais incapacitada”.

Nesse subtipo desatento, a pessoa acaba se nivelando por baixo. Pois o insucesso escolar aqui é muito frequente.

As pessoas portadoras desse subtipo, muitas vezes, comprometem o seu desenvolvimento profissional.

Dependendo do contexto sociocultural-econômico-familiar que estão inseridas os resultados poderão ser catastróficos! Muitas não conseguem desenvolver uma profissão, serem independentes, não concluindo os estudos ou se julgando incapazes de cursar uma universidade.
3) TDAH Subtipo Combinado

Nesse subtipo a pessoa apresenta as características de ambas as formas anteriormente descritas.

Fonte:

www.tadh.org.com.br

TRATAMENTO

O diagnóstico correto é primordial para iniciarmos a abordagem terapêutica.
O ideal tê-lo até o início da vida escolar da criança, em geral, por volta dos 6 anos de idade.

A partir dessa faixa etária, temos a oportunidade de maior aprendizagem e modulação do comportamento da pessoa e da família.

A identificação das comorbidades poderá modificar a conduta terapêutica. Sabe-se que o TDAH isoladamente ocorre em apenas 30% dos casos.

1) TRATAMENTO MEDICAMENTOSO

Psicoestimulantes – são os de 1ª linha (metilfenidato e lisdexanfetamina – são os disponíveis no Brasil)

Não estimulantes – são os de 2ª linha ( atomoxetina – não disponível até o momento no Brasil)

Medicamentos antidepressivos- são os de 3ª linha (tricíclicos, inibidores de recaptação de serotonina entre outros)

Clonidina – agonista alfa-adrenérgico

Somente o profissional médico está capacitado para prescrever medicamentos!

Não existem fórmulas “mágicas” capazes de “consertar” da noite para o dia toda a angústia vivenciada pelo portador, familiares, amigos, cônjuges, professores.

É preciso ter consciência e conhecimento da doença (psicoeducação) para entender que se inicia um processo de modificações internas, dos familiares e do ambiente no qual esse indivíduo está inserido, seja a escola, seja o seu ambiente de trabalho.

Para isso precisamos ter paciência pois, o tempo para ser obtido melhora pode ser longo, sendo necessário investimento não apenas financeiro, mas também pessoal e emocional.

É preciso comprometimento de todos!

2) TRATAMENTO NÃO MEDICAMENTOSO

O portador precisará desenvolver uma série de modificações do seu padrão comportamental, além da aprendizagem de uma série ações, as quais ele não aprendeu como desenvolvê-las. Aqui entra o conceito da Neuroplasticidade: “é possivel modificar o padrão de sinapses e da funcionalidade das regiões cerebrais”;
O conceito da Neurociência Cognitiva: através da detecção do estilo emocional do indivíduo. É possivel “turbinar” o seu cérebro.

Terapia Cognitiva Comportamental – é a modalidade de psicoterapia mais indicada para o TDAH.

Biofeedback e Neurofeedback – são modalidades terapêuticas que vêm se destacando no Mundo como uma possibilidade de tratamento não medicamentoso do TDAH. São utilizados equipamentos compostos por hardware e software. Em meu consultório já disponibilizo essa modalidade de tratamento.

Parent’s Trainning – treinamento dos pais – com técnicas de psicoeducação e coaching.

__________________________________________________

ORIENTAÇÕES AOS PAIS

O convívio diário com os portadores de TDAH não é tarefa fácil! Alguns momentos prazeirosos podem ser intercalados por momentos de muito stress, angústia e sofrimento para ambas as partes. Por esse motivo, temos de ter em mente que o CUIDADOR pode ADOECER tanto quanto o portador.

Portanto, a psicoeducação é de extrema importância para aprender o que é o transtorno e as estratégias de manejo que podem dar o suporte para a melhoria das relações.

Sugerimos algumas estratégias:

1. Converse com seu filho estabelecendo regras curtas e claras.

2. Treine-o a identificar as prioridades e o controle da administração do tempo. Uso de agendas e despertadores podem auxiliar muito.

3. Ensine-o a pensar antes de agir (o mesmo vale para você).

4. Identifique os pontos fortes do seu filho e os valorize. Ajude-o a minimizar as fraquezas e transformá-las a favor dele.

5. Use o reforço positivo, mesmo que a situação esteja um caos. Use a dica anterior para atingir seu objetivo de forma mais assertiva.

6. Entenda que os portadores funcionam muito bem a partir do momento que conseguem enxergar a motivação e os objetivos da tarefa a ser realizada.

7. Uma vez que as regras estejam estabelecidas, não as burle. Mantenha-se firme.

8. Não utilize ameaças para amedrontar ou mesmo coisas que você sabe que não vai conseguir cumprir (você ficará em descrédito).

9. Reconheça qualquer avanço que seu filho tenha. Isso é muito importante para ele.

10. Diante de erros ou desempenho aquém do esperado: cuidado com as palavras! (sugestão nº 3)

11. Não o compare com outra pessoa, seja irmão, amigo ou primos. Ele é um ser único!

12. Estabeleça rotinas diárias. Geralmente utilizar um recurso de um mural onde ele possa ver as ações a serem cumpridas auxilia muito. Ajude-o nessa montagem dos horários e ações.

13. Ensine-o a conferir as ações realizadas e incentive-o a cumprir as outras que ainda faltam, seguindo a ordem das prioridades (sugestão nº2).

14. Estabeleça um sistema de recompensas para tarefas cumpridas. Isso vai incentivá-lo a realizar mais as tarefas.

15. Estabeleça consequências para ações não cumpridas , mostrando-lhe que tudo na vida se baseia em ações e resultados, sejam eles positivos ou negativos.

16. Mantenha a prática do diálogo. A comunicação efetiva é a base para a resolução dos problemas!

17. Ouça-o! Interesse-se pelo seu “mundo”, principalmente se já estiver na faixa de idade da adolescência. Conheça seus amigos. Traga-os para perto de ti.

18. Não estabeleça castigos ou punições prolongadas, principalmente na faixa etária menor, onde a noção de tempo ainda não está bem conhecida.

19. Preserve a auto-estima de seu filho! Isso vai ajudá-lo a se tornar um cidadão confiante!

20. Entenda que o que é bom para você, pode não ser a escolha de seu filho. Aprenda a respeitá-lo dentro dos limites educacionais estabelecidos em seu lar.

_________________________________________

ORIENTAÇÃO AS ESCOLAS

Estamos vivenciando uma época em que a corrida para o sucesso é frenética! A cada dia estamos em contato com situações que ocorrem em tempo real, nas mais distantes localizações do planeta. E como isso vem ocorrendo ao longo dos séculos? Através do processo de evolução contínua do ser humano. Descoberta de novas tecnologias, novos medicamentos, novos meios de comunicação e de exploração do meio ambiente e tudo o mais que faz parte da vida moderna.

E onde começa isso tudo?

Em primeiro lugar, na Família.

Em segundo lugar, na Escola.

Ah, a Escola!

Tempos modernos, onde a criança recém saída da 1ª infância já se depara com um universo onde ela tem que aprender a ler, a desenvolver as relações interpessoais, a dividir o seu brinquedo e o seu espaço. De repente, a Lei Brasileira da Educação impõe que o “serzinho” de 6 anos já esteja no 1º ano do ensino fundamental. Em algumas escolas, já existindo as avaliações, ditados entre outras atividades, nas quais não possuem ainda maturidade neurológica para tal atividade. E não estou falando aqui do portador do TDAH. De um modo geral é assim! Sendo portador então, a situação se complica, principalmente se a nossa jovem criança possuir o subtipo desatento ou combinado.

Bom! Não consigo entender isso! Mas somos obrigados a enfrentar o problema.

A corrida para a aprovação nas Universidades Federais tem transformado as escolas em verdadeiras fábricas de “robozinhos”. A criatividade tão explorada nos primeiros anos de maternal e pré-escola é obrigada a ceder lugar para essa “neurose” que se transformou o sistema de ensino brasileiro.

Alunos da antiga 8ª série, atual 9º ano, com idade entre 13 – 14 anos já se deparam com a obrigatoriedade de estarem realizando provas em salas com alunos do ensino médio, sem a presença do professor de sua disciplina, em algumas escolas da cidade. Não têm mais o direito de tirar alguma dúvida de enunciado das questões. Sem falar nos simulados do vestibular e do Enem. Precisam amadurecer na “marra”! São as normas…transformadas no decorrer dos anos, onde muitas vezes, no ato da escolha da escola para nossos filhos não era assim que funcionava.

Como fica o portador do TDAH nessa situação? Já sabemos que ele pode enfrentar uma série de dificuldades na aprendizagem e, os resultados, já sabemos. Torna-se um aluno mediano. Mediano para baixo. Com muito esforço, aulas de apoio e todo um suporte familiar e emocional precisam ser montados para que ele passe por esse sistema de ensino, tentando preservar ao máximo a sua integridade psíquica! Quando o seu desempenho melhora, aproximando para as notas mais altas, quando sua letra torna-se mais legível, com diminuição dos erros… nossa… é a vitória para eles. Conseguimos identificar naqueles rostos a alegria estampada: consegui!

Como a escola pode ajudar nossos jovens?

As sugestões para os portadores valem para todos os outros alunos. Todos terão benéfícios!

1. É necessário conhecer o seu aluno portador e sua família. A comunicação com ambos de forma clara e objetiva é fundamental.

2. Fornecer informações e/ou estabelecer uma via de comunicação com os profissionais que tratam do portador.

3. Saber que mesmo em tratamento medicamentoso, os sintomas não desaparecem por completo. Pode existir variação do comportamento e/ou atenção ao longo da aula, principalemente se estiver em uso de medicamento de curta ação.

4. Muitas vezes a resposta ao tratamento é notória no início do tratamento, mas com passar dos meses é comum parecer que “já está sem efeito” . Aqui é fundamental a comunicação com a família e a equipe de tratamento.

5. Respeitar o tempo do aluno. Lance mão de estratégias e recursos de ensino flexíveis até descobrir o estilo de aprendizado do seu aluno. Isso o ajudará a atingir um nível de desempenho escolar mais satisfatório.

6. Tente perceber que quando ele já está ficando agitado ou disperso demais. Nesse caso estabeleça combinados com o seu aluno, que quando existir essa situação você fará com que ele se perceba e lhe solicitará algo. É necessário “quebrar” a rotina para ele.

7. Assinale e elogie os sucessos dele tanto quanto possível. Geralmente, o portador já convive com muitos insucessos que precisa de toda a estimulação positiva que puder obter.

8. Lembre-se que as regras e instruções devem ser breves e claras. Certifique-se que ele entendeu.

9. Para lembretes de datas, objetos a serem levados para a escola ou outros comunicados, certifique-se que está anotado. Lembre-se que recados apenas falados podem não ser memorizados.Comunique com a família usando a agenda escolar ou outro meio que a sua escola adote para a comunicação escola-família.

10. Sempre que possível, transforme as tarefas em jogos. A motivação para a aprendizagem e a memorização com certeza serão maiores.

11. Escrever a mão é difícil para muitas destas crianças. Considere a possibilidade de uso de alternativas, como a digitação no computador.

12. Elimine ou reduza a frequência de testes cronometrados. Dificilmente, na vida real, criança terá que tomar decisões tão rápidas. Estes testes apenas reforçam a impulsividade destes alunos.

13. Avalie mais pela qualidade e menos pela quantidade das tarefas executadas. O importante é que os conceitos estejam sendo aprendidos.

Drª Valéria Modesto

CRM: MG-26.423

Endereço

Av. Rio Branco, 2872, sala 506
Centro - Juiz de Fora - MG

Telefones

  • (32) 3218-7274
  • (32) 3232-1357
  • (32) 8839-5005
  • (32) 8839-5824

E-mail

valeriamodesto@menteconfiante.com