Mente Confiante

TDAH e “Acidentes” de Trânsito – por Alexandre Schubert

Acabei de ler no UOL, os resultados de uma pesquisa que relaciona o portador de TDAH sob tratamento e a redução dos acidentes de trânsito.
Um estudo publicado na revista científica JOURNAL OF THE AMERICAN MEDICAL ASSOCIATION PSYCHIATRY, realizado com 17000 ( dezessete mil ) pessoas entre os anos de 2006 e 2009 constatou que o HOMEM portador de TDAH quando medicado com os remédios indicados para o tratamento do transtorno, se envolve 41% menos em acidentes de trânsito do que aqueles portadores não tratados.
Esse estudo financiado pelo CONSELHO SUECO DE PESQUISA e pelo INSTITUTO NACIONAL DE SAÚDE INFANTIL E DESENVOLVIMENTO HUMANO DOS ESTADOS UNIDOS (NICHD) traz questões importantíssimas sobre o TDAH, que vão muitíssimo além da questão do trânsito, foco do estudo.
Em primeiro lugar, mostra o quão nós brasileiros somos atrasados, também, na questão do TDAH. Enquanto chovem comentários, perguntas e insinuações – nesse blog – sobre a não existência do TDAH, no exterior órgãos cientificamente importantes estão pesquisando as consequências da doença na vida prática das pessoas e da sociedade em geral; afinal, os acidentes de trânsito causados pela falta da medicação adequada não afetam apenas nós, os portadores de TDAH, mas a toda a sociedade que nos cerca. Ou seja, uma pesquisa de saúde pública.
Em segundo lugar, mostra que os cientistas também já não discutem, como aqui, se a Ritalina, ou os outros medicamentos específicos para TDAH  causam dependência, ou são manipulações maquiavélicas das corporações multinacionais; não, isso já foi superado. O que se estuda hoje em dia são os benefícios que o tratamento correto traz para as pessoas.
Muito mais do que o resultado da pesquisa em si, no meu caso, no caso do nosso blog, o que mais me chamou a atenção foram as questões acima. O blog tem sido invadido por pessoas inescrupulosas ou ignorantes, que tentam desmoralizar o TDAH, a psiquiatria e os tratamentos para TDAH. Postam links para vídeos primários, toscos e infantis, que tentam descaracterizar não só o TDAH mas como todas as doenças mentais, como se fossem apenas pessoas ‘diferentes’ e que podem ser tratadas de outra forma que não através de medicamentos. Outros, coitados, tentam nos convencer, e a si próprios, de que o TDAH é uma benção, um benefício para o portador, uma vez que ‘pensamos fora da caixa’, somos criativos, e seríamos os inovadores da humanidade.
A já comprovada tendência ao alcolismo, ao uso de drogas, e agora aos acidentes de trânsito, prova que essa afirmativa é uma balela, ‘conversa pra boi dormir’.
O TDAH é uma doença sim; comprovada cientificamente sim; que necessita ser tratada com medicamentos sim; e que causa prejuízos materiais, físicos e emocionais aos seus portadores sim. O resto ou é ignorância ou má intenção. Mas em ambos os casos, são criaturas perniciosas e, provavelmente, desequilibradas mentalmente.
Voltando ao estudo propriamente dito: ” Embora muitas pessoas com TDAH estejam bem, nossos resultados indicam que o transtorno pode trazer consequências muito graves”, disse Henrik Larsson, do Instituto Karolinska da Suécia.
A pesquisa concluiu que os homens com TDAH são 45% mais propensos a sofrer acidentes de trânsito, devido à falta de atenção e à impulsividade, em comparação com os homens que não sofrem desse transtorno.
Uma curiosidade desse estudo, é que não foi constatada nenhuma relação sobre as mulheres, os acidentes de trânsito e o TDAH. Interessante,não?
Aí está.
A publicação desse estudo, que me foi passado pela Ana, foi uma enorme injeção de ânimo no combate a esses infelizes que andam enchendo o saco, nesse blog, com aqueles linkizinhos idiotas sobre a não existência do TDAH. Ao ponto do meu amigo Walter Nascimento me oferecer os serviços de sua secretária particular ( e pelo que pude entender, uma santa que o acompanha a anos) para apagar esses links ridículos que atrapalham nosso blog. Aliás, Walter, ainda nem lhe agradeci. Obrigado!
Claro, que aqueles que postam esses videozinhos vão dizer que o estudo é financiado pelo grande capital, blá, blá, blá, mas a gente sabe que isso é tão verdadeiro quanto Papai Noel e Saci Pererê. Além de não ser tão simpático quanto essas criaturas lendárias.

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